INEZITA BARROSO

A Diva da Tradição Cultural do Brasil

 

mp3 - FELICIDADE ( COM ROBERTO CORRÊA)

mp3 - MARVADA PINGA

 

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            Como explicar a paixão por Mário de Andrade, já aos nove anos ? A menina da Barra Funda ia à casa da tia e ficava de lá pra cá na calçada esperando o momento de vê-lo chegar. "Pra mim ele era um mito, assim, parecido com o Curupira, o Saci, a Mula-sem-cabeça, e eu ficava olhando pra ele, muito alto, muito grandão. Mas ele nem ligava pra mim, como é que ia conversar com uma coitadinha de patins?", lembra.

            Ignez Magdalena Aranha de Lima, a Inezita Barroso (04/03/1924), na década de 40, já gostava de cantar e tocar violão quando terminou o curso de biblioteconomia. Em sua bagagem sentimental carregava a lembrança das modas de viola dos colonos da fazenda dos tios , e ainda das visitas de Raul Torres à sua casa.

            Vibrante e apaixonante, profunda conhecedora da cultura popular, segura nas suas posições, é referência obrigatória desse universo que começa e termina na roça, no sertão, no cerrado, no pantanal, na caatinga e nos mais remotos cantos do país, onde ainda se faz a música legítima de um povo.

            Segundo suas palavras, "o folclore é vivo, é muante, e as modificações ocorrem nas poesias, nas letras, nos instrumentos. Então, se um cara fazia uma viola a canivete no quintal da casa dele, e gente admite que compre uma viola maravilhosa,moderna, com som aprimorado, né? Agora inadmissível são as coisas que acontecem nesse terreno, que não tem limite. Eu soube que em Minas Gerais tem uma Folia de Reis que sai com o gravador tocando e o pessoal dublando atrás. É indecente demais pra mim." Pesquisadora que esteve nos lugares mais remotos do país, desde a década de 40 lamente os que trocaram o som da viola pelo do banjo, influenciados pela música country americana.

            Ao longo da carreira, Inezita cantou o melhor dos caipiras. Em seus primeiros 78 rpm, pela RCA Víctor, em 1953, gravou a "Moda da Pinga", um de seus maiores sucessos até hoje. Mostrou-se desde então extremamente versátil, gravando maracatus,  cocos, modas de viola, lundus, valsinhas, toadas, pagodes caipiras e xotes entre outros ritmos.

            Chegou a fazer seis filmes, estreando na Vera Cruz com "Angela", em 1950, e foi premiada com o Saci  por "Mulher de Verdade", de Alberto Cavalcanti, em 1953.

            Em 1980, depois de passar por um período dedicado às viagens de pesquisa, aos recitais e à gravação de programas especiais para o exterior, já que por aqui o iê-iê-iê tinha chegado atropelando o som da viola e da sanfona, começou a apresentar o programa Viola Minha Viola, ao lado de Moraes Sarmento.

            Inezita Barroso continua apresentando na TV Cultura de São Paulo o Programa Viola Minha Viola ("Êta Programa que eu gosto!!"), que desde então, e é o mais antigo programa do gênero na Televisão Brasileira. Transmitido em rede para todo o Brasil.

            Inezita também continua desenvolvendo intenso trabalho de pesquisa do Folclore por diversos Estados Brasileiros, fazendo também palestras sobre o tema e ministrando ainda diversos cursos sobre Folclore para Secretarias Municipais de Cultura e também para a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Também é Professora de Folclore Brasileiro e História da Música Popular Brasileira na Universidade Capital (São Paulo-SP). Realmente a Maior Autoridade em Folclore Brasileiro!

            Inezita também continua "na estrada", fazendo shows pelo Interior e pelas Capitais, shows esses que costumam estar lotados de gente de todas as idades, tanto de gente "saudosa dos lampiões de gás", como também de gente jovem interessada nas potencialidades instrumentais da Viola Caipira, gente que, contrariamente aos interesses comerciais da maioria das gravadoras e produtoras, quer ouvir a "Brasileiríssima Música" que Inezita sabe interpretar com qualidade!!

            Essa nossa "Terra Descoberta por Cabral", apesar de tudo, parece que "... segue seu rumo aos trancos e barrancos, mas não sai da moda. Inezita também não...".


Textos adaptados do livro Música Caipira da Roça ao Rodeio, de Rosa Nepomuceno. Editora 34  

 

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