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LUIZ
GONZAGA
Gonzagão
- O Primeiro e Único Rei do Baião
mp3
- Gonzagão conta sua Fugida
de Casa, num show no Teatro Tereza Rachel em 1972.
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Luiz Gonzaga do Nascimento nasceu em 1912 na fazenda Caiçara, no sopé da Serra
de Araripe, na zona rural de Exu, Pernambuco, próximo da divisa com os estados
do Ceará e do Piauí. O lugar seria revivido anos mais tarde em "Pé de
Serra", uma de suas primeiras composições. Seu pai, Januário, trabalhava
na roça, num latifúndio, e nas horas vagas tocava sanfona (também consertava
o instrumento). Foi com ele que Luiz Gonzaga aprendeu a tocá-la. Não era nem
adolescente ainda, quando passou a se apresentar em bailes, forrós e feiras, de
início acompanhando seu pai.

Aos dezoito
anos, ele se apaixonou por uma moça da região e, repelido pelo pai dela, um
coronel, ameaçou-o de morte. Januário lhe deu uma surra por isso; revoltado,
Luiz Gonzaga fugiu de casa, ingressando no exército em Crato, Ceará. A partir
dali, durante nove anos ele viajou por vários estados brasileiros, como
soldado. Em Juiz de Fora, Minas Gerais, conheceu Domingos Ambrósio, também
soldado e conhecido na região pela sua habilidade como sanfoneiro. Dele,
recebeu importantes lições musicais.
Em 1939, deu
baixa do Exército no Rio de Janeiro, decidido a se dedicar à música. Na então
capital do Brasil, começou por tocar na zona do meretrício. Seu repertório
era composto basicamente de músicas estrangeiras que apresentava, sem sucesso,
em programas de calouros. Até que, no programa de Ary Barroso ele foi aplaudido
executando "Vira e Mexe", um tema de sabor regional, de sua autoria.
Veio daí a sua primeira contratação, pela rádio Nacional.

Não demorou também para que viessem as primeiras gravações em discos alheios
e, em seguida, seus próprios discos solo. Nestes registrou de início mais de cinqüenta
temas instrumentais, para somente então passar a cantar músicas suas com
letra. "Chamego", que inaugurou a nova fase, não era senão
"Vira e Mexe", à qual tinham sido justapostas palavras cantadas. O
autor delas se chamava Miguel Lima, que tornou-se assim o primeiro letrista de
Luiz Gonzaga.
Foi porém com outro parceiro, o cearense Humberto Teixeira que Luiz Gonzaga
veio a compor as músicas que definiram um novo gênero no cenário musical
brasileiro: o baião. De ritmo, estilo e conteúdo próprios e peculiares, o baião
constituía-se de temas tipicamente nordestinos do sertão. A dupla trabalhou de
1945 a
1950, tendo criado alguns dos maiores clássicos de Luiz Gonzaga. Entre as
dezenove que fizeram, se distinguem: "Baião", de 1946; "Asa
Branca", de 1947; "Juazeiro", de 1949; "Assum Preto",
"Paraíba", "Respeita Januário" e "Baião de
Dois", de 1950.
Em 1949, Luiz Gonzaga inaugurou uma outra importante parceria, com o
pernambucano Zé Dantas. Neste encontro seu trabalho ganhou um tom mais
politizado, notadamente pelo conteúdo social de algumas músicas que abordam os
problemas do Nordeste, como "A Volta da Asa Branca", de 1950, "Aldogão"
e "Vozes da Seca", de 1953, e "Paulo Afonso", de 1955. Além
destas, a dupla fez "Vem, Morena", em 1949, "Cintura Fina",
em 1950, "O Xote das Meninas" e "ABC do Sertão", em 1953, e
"Riacho do Navio", em 1955, num total de 43 composições.
A época dourada do baião
transcorreu aproximadamente de
1945 a
1955, período
em que Luiz Gonzaga
conquistou e consolidou uma imensa popularidade tanto nas zonas rurais como nos
centros urbanos do país.
No final da década
de 40, ele já era um dos maiores astros nacionais, graças principalmente ao
estrondoso sucesso da toada "Asa Branca". Nos primeiros anos da década
seguinte, deu início às grandes excursões que caracterizaram sua carreira
dali para frente, cruzando o Brasil de ponta a ponta para divulgar sua música.
Em 1953, inspirado pelo
sanfoneiro catarinense Pedro Raimundo, que tocava música da sua região com
roupas típicas de gaúcho, Luiz Gonzaga mudou seu visual. Passou a se
apresentar vestido de vaqueiro nordestino, tendo como modelo a indumentária (o
chapeú, especialmente) do cangaceiro Lampião. Daí em diante esta se fixou
como a imagem emblemática do artista, acompanhado de sua indefectível sanfona
branca.
Na segunda metade
dos anos 50, ele começou a cair no esquecimento nas grandes cidades. A partir
de então, suas apresentações se concentraram no interior, onde ele se manteve
em alta.
No meio dos anos
60, essa situação começou a se alterar, quando novos nomes da MPB passaram a
reverenciá-lo, resgatando seu nome. De
1965 a
1972, vários artistas jovens gravaram músicas de seu repertório, de Geraldo
Vandré a Gal Costa, passando por Gilberto Gil - que no auge do Tropicalismo o
citou como uma de suas principais influências - a Caetano Veloso.
Bem no início dos
anos
80, a
carreira de Luiz Gonzaga foi reestimulada pela associação com outro nome da
nova geração da MPB: seu filho Gonzaguinha, que então fazia muito sucesso
como cantor e compositor. Em 1980, Gonzagão e Gonzaguinha - como passaram a ser
chamados respectivamente pai e filho - se juntaram para fazer a bem-sucedida
turnê de "A Vida do Viajante", que marcou a volta de Luiz Gonzaga à
estrada, após alguns anos de quase total retiro. O show, levado a vários
cantos do Brasil, se estendeu pelo ano seguinte, quando foi gravado e registrado
num álbum duplo.
No plano
profissional, os anos seguintes foram marcados por homenagens, premiações -
como a do MPB-Shell, de 1984 - e por duas viagens para apresentações no
exterior, na França, em 1982 e 1986. Na sua vida pessoal, separou-se de Helena
Cavalcanti, passando a viver com Edelzuita Rabelo, uma moça com quem mantinha
um romance desde meados dos anos 70.
Em junho de 1989,
já bastante doente e envelhecido, Luiz Gonzaga participou de um show no teatro
Guararapes, no Recife. Na ocasião, declarou: "Quero ser lembrado como o
sanfoneiro que amou e cantou muito o seu povo, o sertão, as aves, os animais,
os cangaceiros, os retirantes, os valentes, os covardes, o amor". Dois
meses depois, morreu, deixando uma obra de 312 composições registradas e cerca
de 210 discos gravados.
ACESSE
TAMBÉM
http://www.gonzagao.com.br
http://www.reidobaiao.com.br
BIBLIOGRAFIA
SOBRE LUIZ GONZAGA:
DREYFUS,
Dominique. Vida do Viajante: A Saga de Luiz Gonzaga. São Paulo, Editora 34,
1997
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