Fonte: Museu Mazzaropi ( www.museumazzaropi.com.br)


Filmes Produzidos     mp3


        Mazzaropi foi um artista brasileiríssimo. De origem humilde, começou no circo, foi para o rádio, passou pela TV, e chegou ao cinema, onde estreou como ator até se tornar seu próprio produtor, diretor e distribuidor, consagrando-se como um dos maiores sucessos de bilheteria.

        Mazzaropi conseguiu o que ainda hoje parece quase impossível: criar uma indústria de cinema genuinamente nacional, independente (sem subsídios ou financiamentos) e, além de tudo, bem sucedida.

        Certa vez, ao lhe perguntarem qual seria a razão de sua fama, ele respondeu: “O segredo do meu sucesso é falar a língua do meu povo”.

        Mazzaropi não fazia filmes sobre o Brasil. Mazzaropi fazia filmes para o Brasil.

        Para o enorme público brasileiro que não perdia um filme sequer, ele contou histórias que abordavam o racismo, divórcio (que a lei então proibia), as religiões, política e falou até mesmo dos problemas da devastação da natureza.

        Assuntos tão sérios, ele tratava de um jeito pouco comum, a comédia. E, como ele falava “a língua do povo”, de onde ele mesmo emergiu, e de um jeito bem brasileiro, isto é, evitando o debate e o confronto com quem detém o poder, a elite, é claro, não o entendia muito bem.

        Então, apesar da aclamação pelo grande público, o reconhecimento de seu trabalho pela crítica e a elite intelectual lhe foi praticamente negado.

        Felizmente, a obra de Mazzaropi vem sendo revista pelos críticos e as universidades começam a estudá-la, embora ainda seja espantosa a omissão do artista nos livros sobre cultura nacional.

        Mesmo assim, a memória de Mazzaropi continua virtualmente viva pelo país. Ela está latente na lembrança do público que continua vendo seus filmes. Fenômeno exclusivo a alguns poucos.

        Por estas e outras razões, deve existir um espaço para Mazzaropi na história do cinema brasileiro.

        Rever Mazzaropi pode trazer à tona inúmeras reflexões para o presente e futuro sobre o que um dia já deu certo.

        Mas é preciso vê-lo de uma outra maneira, diferente daquela como a crítica da época o via.

        “Tem o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe a interpretar. A atitude cauta, a irônica, a deslocada - todas elas privam o intérprete da primeira condição para poder interpretar.” (Fernando Pessoa)

 

INSTITUTO MAZZAROPI

O Museu Mazzaropi, em Taubaté, é uma iniciativa privada e sem fins lucrativos, mantido pelo Instituto Mazzaropi. Mais informações no site
http://www.museumazzaropi.com.br

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