Pra abrir esta sessão, vou começar contando um causo de festa de São Roque e da
devoção de uma mulher que eu mesmo não conheci, e acho que muita gente mesmo ali
do lugar, que vive todo ano a lembrança da mesma história também não conheceu.
Todo mundo lá do Brejo do Burgo que anda 40 quilômetros até a Baixa do Chico no Raso da Catarina todo ano pra louvar o Santo eu garanto que conhece o causo, mas ninguém deste tempo nunca viu a dona.
Então vamos contar o causo que todo mundo aí já devem ter ficado curioso. Pois então...
Esse povo que vive lá é tudo maioria índio. Tribo Pancararé. Deve ser tudo gente boa, que louva o santo e que faz isso aqui que vou contar pra vocês.
Dia 16 de agosto é dia do Santo, São Roque, conforme eu já contei pra vocês, santo padroeiro dos pestiados, dos medico cirurgião, que opera a gente.
Os romeiros fazem a caminhada animados por uma troupe de músicos, chamado de “Esquenta Mulher” e vem andando pelo caminho cada um trazendo seu São Roquinho pra ser benzido no final da romaria. E param aqui e ali onde recebem ajuda das pessoas que vivem no caminho.
Numa certa parte do trecho de caminhada, debaixo uns pés de arvore, os romeiros param e tiram seus lanches e repartem, uns trazem pão, bolo, água, virado, tubaína, queijo, sei lá mais que tanta coisa cada um leva, e trocam com os outros e fazem também ali uma cantoria.
Bem nesse lugar tem também os restos de uma casinha que a muito tempo ninguém mais mora lá. Pois nessa casinha mesmo que eu estou contando, morava essa tal mulher que eu queria contar a história dela.
Nos tempos mais antigos dessa romaria, essa mulher todo ano esperava os romeiros e sempre abrigava eles, esperava eles com um almoço, uma janta, não sei direito o que, mas fazia isso de receber bem o povo que passava, pois ela mesmo dizia que São Roque havia valido muito por ela e ela fez intenção de nunca deixar de faltar com os romeiros.
Mas o tempo foi passando , passando a mulher ficou velha e morreu, mas antes de morrer pediu pros filhos que continuassem ajudando os romeiros, causo dessa devoção dela. Mas, a gente sabe como é né:
Talvez até um ano ou outro os filho pode ter ajudado, não sei certo, mas com o tempo isso foi falhando e uma hora acabou mesmo.
Mas os romeiros mesmo nunca se esqueceram da intenção da mulher e da obrigação dela com o santo e resolveram eles mesmo fazerem por si esse cuidado a ela, e todo ano, como no passado, ali eles param, fazem a oração deles, a cantoria deles e dão um pouco de cada um de si para alimentar os outros.
Pense que coisa bonita que não deve ser!!!